Gigantes do ramo alimentício criam regras de publicidade para crianças

Especialistas acreditam que a medida é um avanço nas lutas contra obesidade e consumo exagerado de alimentos impróprios

Publicado em 11/01/2017

Publicidade de alimentos que não favorecem a saúde infantil pode ter os seus dias contados. Isso porque, um grupo de 11 empresas de alimentos e bebidas não alcoólicas divulgaram um acordo que visa a autorregulação da publicidade direcionada para crianças. Especialistas acreditam que a medida é um avanço nas lutas contra obesidade e consumo exagerado de alimentos impróprios, no entanto, apontam falhas que poderiam enfraquecer o pacto.

Segundo informações divulgadas no site do jornal Folha de S. Paulo, as empresas que assumiram o pacto são Coca-Cola Brasil, Ferrero, Kellogg's, McDonald's, Nestlé, Unilever, PepsiCo, Mondelez, Mars, General Mills e Grupo Bimbo.

No acordo, elas se comprometeram em não produzir anúncios de itens pouco saudáveis, entre eles chocolate, refrigerantes ou manteigas para as crianças abaixo de 12 anos. Também decidiram unificar os critérios nutricionais mínimos que um produto deve ter para poder ser anunciado ao público infantil. Já água engarrafada, sucos e outros produtos 100% à base de fruta, castanhas e sementes sem adição de sal, não sofrerão qualquer restrição e poderão ser anunciados aos pequenos.

Discussão à tona

Para especialistas, as medidas estão aquém do ideal, pois seria difícil, por exemplo, determinar se o alcance de peças publicitárias "adultas" de refrigerante ou de chocolate não é mais amplo do que aparenta. Entretanto, a medida ainda assim pode ser promissora.

"Considerando que a legislação atual não está sendo cumprida, é um avanço. Esse anúncio mostra que a indústria reconhece que a publicidade pode ser danosa para o público infantil, pelo menos em algumas circunstâncias", diz Isabella Henriques, diretora do Instituto Alana, ONG que há dez anos atua na área que discute o consumo entre crianças.

A proposta é que uma auditoria independente (feita pela KPMG) cuide do monitoramento e alerte as empresas sobre eventuais deslizes no acordo de autorregulação.

Foto: Divulgação