Crianças de até 2 anos não têm alimentação adequada

Pesquisa do Ministério da Saúde apontou falhas na dieta infantil

Publicado em 20/06/2016

As crianças de até 2 anos de idade não têm alimentação necessária para seu fortalecimento. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita nas Unidades Básicas de Saúde de municípios do Brasil, em que apenas 14% delas consumiram alimentos ricos em ferro no dia anterior à consulta, enquanto 56% ingeriram algum tipo de comida ultraprocessada. Além disso, o aleitamento materno que, segundo especialistas deve ser feito até dois anos de idade, foi constatado em apenas 53% das crianças.

"Devemos fazer uso de alimentos in natura ou minimamente processados na base da alimentação. Nesse sentido, entendemos que o aleitamento materno deve ser continuado até os dois anos de idade ou mais, garantir uma alimentação adequada e variada, com presença de alimentos ricos em ferro e vitamina A, por exemplo", alerta Sara Araújo, nutricionista da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

O consumo de alimentos processados também surpreendeu. O biscoito recheado, macarrão instantâneo e bebidas adoçadas, apresentaram índices de 32%, 27% e 40%, respectivamente. Por serem ricos em açúcar, sódio e gorduras, eles são um dos principais motivos para a ocorrência do excesso de peso. Sara ainda explica o porquê é preciso dar atenção a essa faixa etária. "Quando a obesidade se manifesta na infância, o risco de se tornar um adulto obeso é aumentado. Há evidência de que, a partir dos seis anos, aproximadamente, uma a cada duas crianças obesas torna-se um adulto obeso, enquanto apenas uma a cada dez crianças não obesas alcança o mesmo desfecho quando adulta."

A pesquisa que faz parte do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde, conversou com pais de 38.566 crianças, entre 6 e 23 meses, ao longo do ano de 2015.

Foto: Divulgação